Ciência leiteira › Período de transição
pH da urina no pré-parto: acidificar com moderação (6,2 a 6,8) já ajuda o cálcio da vaca no parto
Juntando 19 estudos com 752 vacas Holandesas, quanto mais baixo o pH da urina na semana antes do parto, mais alto o cálcio no sangue logo depois. Os autores sugerem trabalhar numa faixa moderada, e não buscar o pH mais baixo possível.
Por que isso importa
A hipocalcemia (cálcio baixo no sangue logo após o parto) abre a porta para retenção de placenta, metrite, deslocamento de abomaso e queda de leite. Mesmo quando a vaca não cai (febre do leite), o cálcio baixo e escondido (subclínico) já atrapalha. Para prevenir, muitas fazendas usam sais aniônicos na dieta do pré-parto e conferem o resultado pelo pH da urina. A dúvida é até onde baixar esse pH: muita gente persegue valores bem baixos, o que pode derrubar o consumo da vaca.
Como o estudo foi feito
Os autores fizeram uma revisão sistemática: procuraram tudo o que já foi publicado sobre o assunto e encontraram 480 trabalhos. Desses, 19 tinham os dados necessários: o pH da urina das vacas nos 8 dias antes do parto e o cálcio total no sangue nas 48 horas depois. Com esses números, fizeram uma meta-análise, que é uma conta estatística que junta vários estudos para ver a tendência geral, independentemente da dieta usada em cada um.
O que encontraram
- 19 estudose 752 vacas Holandesas entraram na análise, de 480 trabalhos encontrados inicialmente.
- pH ↓ = cálcio ↑Quanto mais baixo o pH médio da urina na semana antes do parto, mais alto o cálcio no sangue depois do parto. A relação foi estatisticamente significativa (P = 0,023).
- 6,2 a 6,8é a faixa de acidificação moderada que os autores sugerem acompanhar, ou então uma meta própria de cada rebanho.
- Os estudos variaram bastante entre si: outros fatores que não foram medidos (como o cálcio da dieta, o número de partos e o nível de DCAD, a diferença entre cátions e ânions da dieta) também mexem com o cálcio da vaca.
Principais pontos
- Baixar o pH da urina no pré-parto se associou a mais cálcio no sangue depois do parto, olhando o rebanho como um todo.
- Não é preciso ir ao extremo: os autores sugerem uma acidificação moderada, por volta de 6,2 a 6,8.
- Acidificar demais traz o risco de acidose metabólica, que derruba o consumo da vaca justo quando ela mais precisa comer.
- O pH da urina é um termômetro da dieta aniônica, mas não resolve sozinho: consumo alto no pós-parto continua sendo parte da prevenção.
Na prática, na fazenda
- Se a fazenda usa dieta aniônica no pré-parto, meça o pH da urina toda semana em uma amostra de vacas que estejam há pelo menos alguns dias no lote, com fita ou peagâmetro, sempre no mesmo horário.
- Trabalhe numa faixa moderada (por volta de 6,2 a 6,8) e ajuste a dose de sal aniônico com o nutricionista, em vez de perseguir o pH mais baixo possível.
- Se o pH estiver muito abaixo da faixa e as vacas comendo pouco no pré-parto, reveja a dose: acidose derruba o consumo.
- Acompanhe junto os casos de febre do leite, retenção de placenta e metrite para criar a meta de pH da sua própria fazenda.
- Não esqueça do básico do pós-parto: cocho cheio, espaço suficiente e água à vontade para a vaca recém-parida voltar a comer rápido.
Cuidados antes de aplicar
Pattarajinda, V.; Nekouei, O.; Melendez, P. Association between prepartum urine pH and blood calcium concentration at calving in Holstein cows: a systematic review and meta-analysis. Animal, 2026, v. 20, 101906.
doi.org/10.1016/j.animal.2026.101906 acesso aberto
Resumo e interpretação da DATAPec Consultoria a partir do artigo original. Não substitui a leitura do artigo nem a avaliação técnica da sua fazenda.
