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Ciência leiteira › Período de transição

pH da urina no pré-parto: acidificar com moderação (6,2 a 6,8) já ajuda o cálcio da vaca no parto

Juntando 19 estudos com 752 vacas Holandesas, quanto mais baixo o pH da urina na semana antes do parto, mais alto o cálcio no sangue logo depois. Os autores sugerem trabalhar numa faixa moderada, e não buscar o pH mais baixo possível.

Animal, 2026Resumo publicado em 6 de outubro de 20263 min de leituraAplicabilidade

Por que isso importa

A hipocalcemia (cálcio baixo no sangue logo após o parto) abre a porta para retenção de placenta, metrite, deslocamento de abomaso e queda de leite. Mesmo quando a vaca não cai (febre do leite), o cálcio baixo e escondido (subclínico) já atrapalha. Para prevenir, muitas fazendas usam sais aniônicos na dieta do pré-parto e conferem o resultado pelo pH da urina. A dúvida é até onde baixar esse pH: muita gente persegue valores bem baixos, o que pode derrubar o consumo da vaca.

Como o estudo foi feito

Tipo de estudoMeta-análise (vários estudos juntos)
Animais752 vacas Holandesas (só 10 de primeira cria) em 51 grupos de 19 estudos publicados
DuraçãopH da urina medido até 8 dias antes do parto; cálcio no sangue até 48 horas depois
OndeEstudos de vários países, reunidos de 3 bases científicas (PubMed, CABI e Scopus)

Os autores fizeram uma revisão sistemática: procuraram tudo o que já foi publicado sobre o assunto e encontraram 480 trabalhos. Desses, 19 tinham os dados necessários: o pH da urina das vacas nos 8 dias antes do parto e o cálcio total no sangue nas 48 horas depois. Com esses números, fizeram uma meta-análise, que é uma conta estatística que junta vários estudos para ver a tendência geral, independentemente da dieta usada em cada um.

O que encontraram

Principais pontos

Na prática, na fazenda

  1. Se a fazenda usa dieta aniônica no pré-parto, meça o pH da urina toda semana em uma amostra de vacas que estejam há pelo menos alguns dias no lote, com fita ou peagâmetro, sempre no mesmo horário.
  2. Trabalhe numa faixa moderada (por volta de 6,2 a 6,8) e ajuste a dose de sal aniônico com o nutricionista, em vez de perseguir o pH mais baixo possível.
  3. Se o pH estiver muito abaixo da faixa e as vacas comendo pouco no pré-parto, reveja a dose: acidose derruba o consumo.
  4. Acompanhe junto os casos de febre do leite, retenção de placenta e metrite para criar a meta de pH da sua própria fazenda.
  5. Não esqueça do básico do pós-parto: cocho cheio, espaço suficiente e água à vontade para a vaca recém-parida voltar a comer rápido.

Cuidados antes de aplicar

A meta-análise junta 752 vacas Holandesas, quase todas multíparas (só 10 de primeira cria), em estudos feitos fora do Brasil e, em geral, em confinamento. Ela mostra uma associação no nível do rebanho, não uma regra para cada vaca, e os estudos variaram bastante entre si. Não foi possível avaliar o efeito do cálcio da dieta, do número de partos nem do nível de DCAD. Para vacas Girolando ou a pasto, a faixa deve ser usada como ponto de partida e confirmada com os dados da própria fazenda. Este resumo foi feito a partir do resumo oficial do artigo.
Artigo original
Pattarajinda, V.; Nekouei, O.; Melendez, P. Association between prepartum urine pH and blood calcium concentration at calving in Holstein cows: a systematic review and meta-analysis. Animal, 2026, v. 20, 101906.
doi.org/10.1016/j.animal.2026.101906 acesso aberto

Resumo e interpretação da DATAPec Consultoria a partir do artigo original. Não substitui a leitura do artigo nem a avaliação técnica da sua fazenda.

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