Ciência leiteira › Qualidade do leite e mastite
Preparo manual dos tetos venceu o aparelho automático de limpeza na saúde do úbere
Num ensaio com 326 vacas, trocar o pré-dipping, a retirada dos primeiros jatos e a secagem com toalha por um aparelho de jato de água, ar e desinfetante não mudou o leite, mas aumentou tetos sujos, ordenha com fluxo bimodal e infecções novas.
Por que isso importa
O preparo dos tetos antes de colocar o conjunto é o que mais pesa na qualidade da ordenha: limpa o teto, tira os primeiros jatos e estimula a descida do leite. Como depende da mão de obra, vêm surgindo aparelhos que fazem tudo de uma vez com um jato de água, desinfetante e ar. A promessa é padronizar a rotina. O estudo testou se o aparelho entrega o mesmo resultado que a rotina manual bem feita.
Como o estudo foi feito
As vacas foram sorteadas em dois grupos na mesma sala de ordenha. Em um, o preparo foi o tradicional: pré-dipping com copo de espuma, retirada dos primeiros jatos e limpeza e secagem com toalha de pano. No outro, um aparelho com gatilho fazia a limpeza, a desinfecção e a secagem com um vórtice de água, desinfetante e ar comprimido.
As duas rotinas tinham a mesma meta: 12 segundos de estimulação, 120 segundos entre o início do preparo e a colocação do conjunto, e a mesma concentração de desinfetante. O cumprimento foi conferido toda semana. Foram medidos produção, tempo e fluxo de ordenha, fluxo bimodal (o leite que "para e volta" no começo da ordenha), sujeira na ponta do teto e CCS no controle leiteiro.
O que encontraram
- Leite por ordenha, leite no dia do controle (45,8 contra 45,3 kg), tempo de ordenha e fluxo foram praticamente iguais nos dois grupos.
- 2,4×mais chance de fluxo bimodal nas vacas preparadas com o aparelho: sinal de estimulação pior.
- 1,23×mais chance de ponta de teto suja depois do preparo com o aparelho.
- 4×mais chance de infecção subclínica nova (escore de CCS passando de abaixo de 4 para 4 ou mais) nas vacas preparadas com o aparelho.
- O escore linear de CCS ficou mais alto no grupo do aparelho nos três controles depois do início, chegando a 2,51 contra 1,38 no terceiro.
Principais pontos
- A rotina manual bem feita (pré-dipping, primeiros jatos e secagem com toalha) continua sendo a referência.
- O aparelho não tirou leite, mas limpou pior e estimulou pior, e isso apareceu na CCS em poucas semanas.
- Tecnologia na ordenha precisa ser medida na fazenda antes de substituir a rotina inteira.
- Os tempos da rotina (estimulação e intervalo até colocar o conjunto) valem para qualquer método.
Na prática, na fazenda
- Mantenha a sequência manual: pré-dipping, retirada dos primeiros jatos, secagem com papel ou toalha individual e conjunto colocado de 60 a 120 segundos após o início do preparo.
- Confira a rotina com cronômetro de tempos em tempos: estimulação de 10 a 15 segundos por vaca e intervalo até o conjunto.
- Se pensar em aparelho de preparo automático, teste num lote e acompanhe CCS, mastite e tetos sujos antes de adotar no rebanho todo.
- Use o medidor de fluxo ou o software da ordenha, se tiver, para vigiar ordenha bimodal: ela costuma indicar estimulação fraca.
Cuidados antes de aplicar
Vasquez, A. K.; Heuwieser, W.; Ravelo, A. D.; Wieland, M. A randomized controlled study evaluating milking performance and udder health on a New York dairy farm using a novel stimulating, cleaning, and drying device for teat preparation. Journal of Dairy Science, 2026.
doi.org/10.3168/jds.2026-29167 acesso aberto
Resumo e interpretação da DATAPec Consultoria a partir do artigo original. Não substitui a leitura do artigo nem a avaliação técnica da sua fazenda.
