Ciência leiteira › Período de transição
Trocar a fonte de cobre, manganês e zinco no pré e pós-parto reduziu retenção de placenta e descarte
Com a mesma quantidade de minerais na dieta, usar a forma hidroxicloreto no lugar do sulfato deixou as vacas mais saudáveis no pós-parto e menos vacas saíram do rebanho até o fim da lactação.
Por que isso importa
Cobre, manganês e zinco são poucos gramas na dieta, mas pesam na imunidade, na saúde do útero e na reprodução. Eles chegam à vaca em formas químicas diferentes. A mais comum nos núcleos é o sulfato, barata e solúvel. Outra forma, o hidroxicloreto, se dissolve menos no rúmen e é apontada como mais bem aproveitada.
O período de transição, as semanas antes e depois do parto, é quando a vaca mais adoece. Este estudo testou se só trocar a fonte desses três minerais, sem mudar a quantidade, faz diferença nessa fase.
Como o estudo foi feito
As vacas foram divididas em dois grupos parecidos em produção e genética. As dietas eram iguais, inclusive na quantidade de cobre, manganês e zinco. A única diferença era a fonte: um grupo recebeu os três minerais como sulfato e o outro como hidroxicloreto, desde cerca de 34 dias antes do parto até 105 dias de lactação.
Os pesquisadores registraram as doenças até 105 dias, mediram marcadores de inflamação no sangue, fizeram inseminação com protocolo e acompanharam prenhez e saída do rebanho até 305 dias.
O que encontraram
- 3,8%de retenção de placenta com hidroxicloreto, contra 11,5% com sulfato.
- 11,9%das vacas do hidroxicloreto saíram do rebanho até 305 dias de lactação, contra 26,5% no grupo do sulfato.
- 9,8%das vacas foram marcadas como "não inseminar" no grupo do hidroxicloreto, contra 25,6% no do sulfato.
- 32,7%das vacas tiveram alguma doença até 105 dias no grupo do hidroxicloreto, contra 51,7% no do sulfato (tendência).
- 82,8%de vacas prenhes até 305 dias com hidroxicloreto, contra 68,8% com sulfato (tendência). A taxa de prenhez por ciclo não mudou.
- A inflamação no início do pós-parto (haptoglobina no sangue) foi menor no grupo do hidroxicloreto. Cálcio, gordura mobilizada (NEFA) e cetose (BHB) não mudaram.
Principais pontos
- Não foi dar mais mineral: foi a mesma quantidade, em outra forma química.
- O ganho apareceu na saúde do pós-parto (placenta, útero, inflamação) e se refletiu em menos descarte.
- Parte dos resultados foi só tendência, mas todos apontaram para o mesmo lado.
- A fonte de microminerais do núcleo é uma decisão de nutrição que o produtor quase nunca vê, e pode pesar na transição.
Na prática, na fazenda
- Peça ao nutricionista ou ao fornecedor do núcleo a fonte de cobre, manganês e zinco do pré-parto e da lactação (sulfato, hidroxicloreto, orgânico).
- Se a fazenda tem muita retenção de placenta, metrite ou endometrite, inclua a fonte de microminerais na conversa, junto com cálcio, escore corporal e ambiente do parto.
- Compare o custo por vaca por dia da troca com o custo de um caso de retenção de placenta e de uma vaca descartada cedo.
- Se trocar, registre retenção de placenta, metrite e descarte antes e depois para ver o efeito no seu rebanho.
Cuidados antes de aplicar
Sarwar, Z.; Adeoti, T. M.; Marinho, M. N.; Rasia, J.; Oliveira, L. R. S.; Perdomo, M. C.; Griswold, K. E.; Santos, J. E. P. Effects of replacing sulfate with hydroxychloride sources of trace minerals on health and reproduction in dairy cows. Journal of Dairy Science, 2026, v. 109, 9859–9875.
doi.org/10.3168/jds.2026-28380 acesso aberto
Resumo e interpretação da DATAPec Consultoria a partir do artigo original. Não substitui a leitura do artigo nem a avaliação técnica da sua fazenda.
