Ciência leiteira › Qualidade do leite e mastite
Uma segunda dose de selante interno, 4 semanas depois da secagem, cortou cerca de 40% da mastite clínica no começo da lactação
Em vacas mais velhas e de CCS baixa, repor o selante no meio do período seco reduziu a mastite clínica nos primeiros 30 dias após o parto. Já o antibiótico na secagem foi melhor que só o selante para a CCS.
Por que isso importa
O período seco é quando a vaca mais pega infecção nova no úbere, e boa parte da mastite do começo da lactação nasce ali. O selante interno é uma pasta colocada no teto na secagem que funciona como tampa. Mas parte das vacas perde o selante ao longo das semanas, e algumas têm mastite mesmo tendo recebido.
O estudo testou se colocar uma segunda dose de selante no meio do período seco ajuda, e comparou de novo selante sozinho com antibiótico na secagem.
Como o estudo foi feito
As vacas foram sorteadas duas vezes. Na secagem, metade recebeu só selante e metade recebeu antibiótico de vaca seca. Quatro semanas depois, metade de cada grupo recebeu uma segunda dose de selante e a outra metade não recebeu nada. Os grupos ficaram equilibrados em idade, raça, CCS, produção e duração da lactação.
As vacas foram acompanhadas até 30 dias após o parto para mastite clínica, e a CCS foi medida no primeiro controle leiteiro.
O que encontraram
- −40%de mastite clínica nos primeiros 30 dias de lactação nas vacas que receberam a segunda dose de selante na 4ª semana, em comparação com as que não receberam.
- 2,1×mais mastite clínica nas 4 primeiras semanas do período seco nas vacas secadas só com selante, em comparação com as secadas com antibiótico.
- 10,3%das vacas secadas com antibiótico tinham mastite subclínica (CCS acima de 200 mil) no primeiro controle, contra 14,9% das secadas só com selante: cerca de 31% a menos.
- A segunda dose de selante não mudou a CCS nem a mastite subclínica no primeiro controle; o efeito foi na mastite clínica.
Principais pontos
- Repor o selante no meio do período seco reduziu bastante a mastite clínica logo após o parto.
- O efeito da segunda dose apareceu tanto em vacas secadas com selante quanto em vacas secadas com antibiótico.
- Antibiótico na secagem ainda protegeu mais no início do período seco e deu CCS mais baixa no primeiro controle.
- A segunda dose é uma ferramenta para vacas ou rebanhos de risco alto, não uma rotina para todas.
Na prática, na fazenda
- Veja o histórico da fazenda: se há muita mastite clínica nos primeiros 30 dias de lactação, discuta com o veterinário a segunda dose de selante para vacas de risco.
- Antes disso, revise o básico do período seco: lote de vacas secas limpo e seco, cama boa e área de pré-parto sem barro.
- Se for aplicar, faça com a mesma higiene da secagem (teto limpo, desinfetado com álcool, aplicador estéril). Aplicação suja coloca bactéria dentro do úbere.
- Registre mastite clínica até 30 dias após o parto para medir se a mudança funcionou.
Cuidados antes de aplicar
Munn, R. R.; Castle, R.; McDougall, S. Effect of a second infusion of an internal teat sealant 4 weeks after drying off. Journal of Dairy Science, 2026, v. 109, 10930–10945.
doi.org/10.3168/jds.2026-28715 acesso aberto
Resumo e interpretação da DATAPec Consultoria a partir do artigo original. Não substitui a leitura do artigo nem a avaliação técnica da sua fazenda.
